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sábado, 23 de maio de 2015

Edição de maio: poetas convidados (parte 4)

Fechando o elenco de convidados da edição de maio do Eco: Mauro Morais.


O jornalista  Mauro Morais

O poeta juiz-forano Mauro Fonseca (1962-1988) participou ativamente de movimentos culturais como Abre Alas e D'Lira e é autor dos livretos Não há sinal de porto algum (1984) e Não sou náufrago na ilha de ninguém (1982). Anos depois da morte de Mauro Fonseca, seu filho, o jornalista Mauro Morais, organizou a obra do pai na antologia Do aborto ao parto (FUNALFA, 2015). Na edição de maio do Eco, Mauro Morais estará presente para falar da obra e fazer a leitura de alguns dos textos que estão no livro. Confira abaixo dois poemas de Mauro Fonseca:


Afirmativa

estou entre a foto e o fato
entre o aborto e o parto


Decididamente com a pá nas mãos enterro meus mortos

Lembro-me bem de Maria
de rita luzia
e tantas outras vidas
amigas que morreram de susto
morreram de medo
de pavor
morreram em silêncio
em segredo
lembro-me dos amigos
meus pais irmãos
morreram sozinhos
de dia ou à noite
enquanto eu em algum lugar
abria o álbum do tempo
e percorria com os dedos
as amareladas fotos
decididamente com a pá nas mãos
enterro meus mortos


O poeta Mauro Fonseca
*

Edição de maio do Eco Performances Poéticas
dia 24 de maio, domingo
a partir das 18 horas
no Maquinaria
(Rua São Mateus, 552)

Evento no Facebook: 

Edição de maio: poetas convidados (parte 3)

Mais um dos poetas convidados da edição de maio do Eco: Darlan Lula.





Réquiem

Quando é dor de ausência
para, pensa: melhor é ter sangue
correndo pelo corpo
a vida é certa
borboleta voando contra o vento
roedor passageiro à espreita
pronto para sangrar cores

E quando a dor persiste
resiste em seus chistes
para, pensa: tudo está à mão
ou vão é o discurso

Quando a dor consome
insone nas noites dormentes
para, pensa: quanto de sua vida é demente
esperando algo fruto de pendente ação

E... se mesmo assim a dor não for
para, pensa: em campos devastados
suba em um cavalo
trota a largos passos
busque qualquer terra que se prometeu:
que de amores e perdões se aqueceu.


Sobre o autor: Darlan Lula é formado em Letras. Doutor em Literatura comparada pela UFF e autor de quatro livros, entre eles dois romances e um livro de poesia, Casa de Madeira (FUNALFA), lançado este ano. Atualmente, escreve um romance em seu blog www.darlanlula.blogspot.com.br, chamado "Nuvens", com a publicação de um capítulo todo domingo.


*


Edição de maio do Eco Performances Poéticas
dia 24 de maio, domingo
a partir das 18 horas
no Maquinaria
(Rua São Mateus, 552)

Evento no Facebook: http://on.fb.me/1Fwz8gL


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Edição de maio: poetas convidados (parte 2)

Também no elenco de poetas da edição de maio do Eco: Julia Mendes.


saturno em escorpião

afina-se para dentro
borbulha
avança
vaza no que sobra
e quando menos
dilacera
saturno dança
com seu escorpião
no meio de um vortex
onde os vagalumes
criam suas cascas
azul-violeta-indigo-blue
suave-será-a-dança
dos que uivam

Sobre a autora: Julia Mendes nasceu no dia dois de fevereiro, no Rio de Janeiro. É autora dos livros de poemas Desde quando deserto (Patuá, 2014) e Para um corpo preso no guindaste (Patuá, 2012). 

*
Edição de maio do Eco Performances Poéticas
dia 24 de maio, domingo
a partir das 18 horas
no Maquinaria
(Rua São Mateus, 552)

Evento no Facebook: 

Edição de maio: poetas convidados (parte 1)

Abrindo o elenco de poetas da edição de maio do Eco: Marcus Groza.



Afia-se

não merece amor quem vive em si
sem esfolar a ponta das vértebras
não merece amor quem os nervos não esfrega
em mel em cinzas
e no zinabre de fagulhas e salivas
arrastando a língua nas flechas
conta postes paredes e pedras
não merece amor quem vive em si
esquálido como um cristo que não pesca
como um cachorro que tem dor de barriga
e flores e gramíneas não mastiga
nem faz compressa
não merece amor quem vive em si
sem esfolar a ponta das vértebras


Sobre o autor: Marcus Groza é poeta, dramaturgo e pesquisador. Mestre em Artes (UNESP) e e doutorando em Artes Cênicas (Unirio). Autor dos livros Do Buraco à Poça (Patuá, 2013) e Sossego Abutre (Patuá, 2015). Atualmente é co-editor da Revista Abate e da Revista Saúva.


*

Edição de maio do Eco Performances Poéticas
dia 24 de maio, domingo
a partir das 18 horas
no Maquinaria
(Rua São Mateus, 552)

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Edição de abril: poetas convidados (parte 4)

Fechando o elenco de poetas convidados do Eco de abril: André Capilé.



A canção de amor de J. Pinto Sayão (excerto)

Então vamos, você e eu,
Quando o fim da tarde é espalhado contra o céu 
Como um paciente eterizado sobre a mesa;
Vamos, por certas ruas meio ermas,
Resmungando da noite o refúgio
no pernoite inquieto em hotéis vagabundos; 
E as ostras com serragem nos botecos: 
Ruas que seguem como uma discussão tediosa 
Cuja intenção insidiosa
É conduzir você à questão crucial . . .

“Qual é?” Ah, não me inquira
Vamos logo fazer nossa visita. 

As moças vêm, as moças vão
Falando sobre Michelangelo no salão.

A bruma ocre que esfrega o dorso em volta das vidraças, 
O fumo ocre que esfrega o focinho nas vidraças
Lambeu os beiços nas esquinas do crepúsculo,
Pôs-se na poça a chafurdar o charco,
Deixou cair nas costas a fuligem que vem das chaminés,
Deslizou pela laje, deu um salto súbito,
E vendo que era uma branda noite de outubro,
Por inteiro enrolou-se em volta da casa, e dormiu.

E muito certamente haverá tempo
Pra que flua pela rua a parda fumaça
Esfregando o dorso pelas vidraças;
E sim, haverá tempo, haverá tempo
De preparar um rosto que outro rosto encare;
Haverá tempo para matar e criar,
Tempo de mãos, para os trabalhos e os dias, 
Que erguem e lançam questões no seu prato;
Tempo para você, tempo pra mim,
E tempo ainda de mil e uma indecisões,
Também de inúmeras visões e revisões,
Antes da hora de torradas com chazinho.

As moças vêm, as moças vão
Falando sobre Michelangelo no salão.


Sobre o autor: André Capilé nasceu na margem mansa do Sul Fluminense em 1978. Cofundador e ex-organizador do Eco Performances Poéticas, também é parceiro de ações do site TextoTerritório e do coletivo editorial Edições Macondo. Publicou, entre outros, rapace (Texto Território, 2012) e balaio (7Letras, 2014). Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, onde cursa, atualmente, doutorado.


*

Edição de abril do Eco Performances Poéticas
10 de abril, sexta-feira, a partir das 19h
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro. JF-MG)
Entrada franca

Evento no Facebook: http://on.fb.me/1F6BTq0





quarta-feira, 8 de abril de 2015

Edição de abril: poetas convidados (parte 3)

Outra poeta que vai fazer parte do elenco de convidados da edição de abril do Eco: Marcela Batista.



Corpo a corpo

ser estrangeiro 
no português 
fatia o plural
com laminados estáticos
que lá de fora atravessa pra dentro
é ser a encarnação do pecado da língua 
do bafo 
do ácido paladar 
que envolve aquelas noites e 
folheia aqueles dias
a teia dessa língua indigesta
emaranha umas consoantes 
às singulares vogais
estranhamente ditas
mal encaradas
piamente repetidas
som a som
língua a língua 
L A M B E N D O
o céu da boca 
ardilosa como
este solo 
chamado Alentejo.


Sobre a autora: Marcela Batista é poeta e aluna do curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Em 2014 morou em Portugal, onde escreveu seu primeiro conjunto de poemas no ócio poético d'além mar.

*

Edição de abril do Eco Performances Poéticas
10 de abril, sexta-feira, a partir das 19h
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro. JF-MG)
Entrada franca

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terça-feira, 7 de abril de 2015

Edição de abril: poetas convidados (parte 2)

Também no elenco da edição de abril do Eco: Ana Lidia Resende Paula.




E agora? Dei tanto valor a margens que o rio secou. Achei que sorrir era um fato que o choro passou. Pensei que o sol era farto que a chuva caiu. Imaginei que o espaço era exato que a voz não saiu. Sem dias sem meses sem datas odeio as exatas impostas pela sociedade Estou farta! Não sei o valor exato do quadrilátero nem a raiz de 5 É exata? Sei do amor da palavra do humano da estrada. Sei do desânimo do sorriso animado do caminho certo Sei do passado, que passou tão rápido Do futuro, que nem veio Do instante, mas... Qual é a medida exata da reta larga que marca o presente? Calma aí. O presente passou assim tão rápido?! "E agora José?" A tinta manchou a voz se calou coragem não veio. "E agora José?" E agora? Cadê o respeito?


Sobre a autora: Ana Lidia Resende Paula integra o grupo o BPS - Sociedade dos Poetas Brasileiros. Publicou em 2012, aos 12 anos, seu primeiro livro de poemas, Linhas Poéticas e em 2014 lançou o livro Poetguese - A Utopia Por um Mundo de Palavras - publicado em Nova York, pelo Lettrs, que reuniu textos de 84 jovens de todo Brasil.

*

Edição de abril do Eco Performances Poéticas
10 de abril, sexta-feira, a partir das 19h
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro. JF-MG)
Entrada franca
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Edição de abril: poetas convidados (parte 1)

Abrindo o elenco de convidados da edição de abril do Eco: Anelise Freitas



Foto: Paula Vasconcelos.


Por enquanto não há previsões de mudança, pode ser que eu morra na volta


Jailson Kokeru dizia naquela tarde azul
que nasceu na cidade da Praia, Cabo Verde,
onde todos falavam português quatro horas por dia
(na escola) e crioulo na vida.
Os homens mais ricos daquela região
ainda andam sujos do serviço.
Dizia que em Angola e Moçambique se fala o português como unidade
e alguns dialetos em paralelo.
Naquela tarde azul descobri que Cabo Verde ainda guarda heróis
mais cheios de vida do que Vascos da Gama, Tiradentes
ou escritores em língua portuguesa de Portugal.
Falamos brasileiro, ora pois.
Isso não é um poema.

(Você sabe exatamente como eu fico.)

Já botei os dedos cruzados entre a boca e disse:
- Eu preciso dar um grito!

É isso.

- Leoa!,
é como te chamam quando cerra esses dentes
e fecha essa cara e pende
as sobrancelhas castanhas
e joga a juba para os lados e fuma

ou quando olha pra cima, vendo
o fogo pegar nos teus braços
e aponta pra mim e diz
: tu!
E os teus quilômetros de pescoço
e os teus lábios de Brando
e os nossos óculos iguais

e o que você queria que eu dissesse
com teus cabelos surrados?
O corpo curvado e a promessa dos seios;
O quê?

E quando eu digo que odeio Copacabana
você me agarra a boca e ri.

Eu sei de todo o teu corpo
(menos onde nasce esse sorriso
e como isso flutua no meu corpo
como a fumaça do Marlboro
vermelho (como a nossa pele)).

Leãozinho:
é fácil falar das coisas,
não é fácil sentir universos;
é fácil jogar com as palavras,
não é fácil sentir pessoas.


Sobre a autora: Anelise Freitas cursa Letras e mestrado em Teoria Literária na Universidade Federal de Juiz de Fora. Publicou os livros de poesia Vaca contemplativa em terreno baldio (Aquela Editora, 2011) e O tal setembro (Os 4 mambembes, 2013), além da plaquete Pode ser que eu morra na volta (Edições Macondo, 2015). É uma das organizadoras do Eco Performances Poéticas.

*

Edição de abril do Eco Performances Poéticas
10 de abril, sexta-feira, a partir das 19h
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro. JF-MG)
Entrada franca
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Edição de novembro: poetas convidados (parte 5)

Fechando o elenco de convidados do Eco de novembro: Marília Garcia.



blind light

aqui a luz faz o contrário de iluminar, é como
a desorientação ou a serendipia. blind
light, um quadrado que
cega
          a pergunta certa podia ser: o que você
faz enviando postais de lisboa ou
seu telefone não atende a
chamadas com números
longos?
mas não podia dizer nada
o último jantar era silencioso,
enquanto pensava em uma escala que planificasse o
esférico: o mundo não seria redondo
mas alguns pacotes de água empilhados
em uma superfície plana para
cobrir os buracos
deste ponto de vista o azul não é
azul. precisa desta vez de
29 dimensões para caber:
e então ela entra
em cena

silêncio

aqui a luz faz o contrário de iluminar
e mais uma vez o 2 e o 9: primeiro somam
58. depois as placas riscavam o ar repetindo-
se a cada esquina. 2. 9. 2. 9

– você ainda vai me ver três
vezes antes do final, fique atento
aos sinais, falou. se procurar as palavras-
chave encontrará
números mas também
seres marinhos, cílios, quilômetro, retina e
eletricidade. 2. 9. 2. 9.2.
o que eu vejo ao lembrar
de você é um buraco
                                   só um buraco.
um buraco cegando tudo.
diante do buraco, as hélices desenhando a
cena em pleno ar:
                                   imagina
que desce durante o giro, o corpo em
câmera lenta caindo


Sobre a autora: Marília Garcia (Rio de Janeiro, 1979) publicou os livros 20 poemas para o seu walkman (Cosac Naify, 2007) que, em 2013, foi traduzido para o espanhol e publicado na Argentina pela Vox Editorial, Engano geográfico (7letras, 2012) e Um teste de resistores (7letras, 2014). Edita a revista de poesia Modo de Usar & Co com os poetas Angélica Freitas e Ricardo Domeneck. Trabalhou durante dez anos no mercado editorial, tendo participado do comitê editorial de várias revistas literárias, como a Inimigo Rumor, a Ficções e a Lado 7.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Edição de novembro: poetas convidados (parte 4)

Outra poeta que vai fazer parte do elenco de convidados da edição de novembro do Eco: Laura Assis.




Chão

O silêncio
não é o melhor meio
de conter acidentes.

corpo escolha luz sorte
detalhe perda relógio tudo
existe além da linguagem

(seu nome:
serial de rumores
que nada diz
sobre seus gestos)

Talvez ler
o livro do mundo
seja também
saber perdê-lo.

Antes do ruído
a vida é.


Sobre a autora: Laura Assis nasceu em 1985 em Juiz de Fora, MG. É graduada em Letras e mestre em Estudos Literários pela UFJF. Atualmente cursa doutorado em Literatura na PUC-Rio e é produtora editorial. Publicou textos em jornais e revistas como Plástico Bolha, Tribuna de Minas, Um Conto e Lado 7 e em sites como Amálgama e Posfácio. Mantém o blog Página 29. Seu primeiro livro, Depois de rasgar os mapas (Aquela Editora, 2014), será lançado em novembro.


Confira também o booktrailer do livro Depois de rasgas os mapas, que será pré-lançado no Eco:





Edição de novembro do Eco Performances Poéticas
Dia 14/11/2014, sexta-feira, a partir das 19 horas.
No Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro, JF)
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Edição de novembro: poetas convidados (parte 3)

Mais um dos poetas convidados da edição de novembro do Eco: Frederico Spada Silva.




CISMA
(Estudos para uma epígrafe, 2)

No exílio,
ansiava o tempo
em que florescessem
as cerejeiras:
o encanto
dispensava palavras,
e a língua,
sua grande fratura,
já não o denunciava.


Sobre o autor: Frederico Spada Silva é doutorando em Literatura, cultura e contemporaneidade pela PUC-Rio. Mantém o canal Juiz de Fora - História lírica, com depoimentos de poetas ligados à cidade (http://www.youtube.com/user/poesiaemjf/videos), e é autor de Arqueologias do olhar (Funalfa, 2011) e Coleção de ruínas (Edições Macondo, 2014).


Edição de novembro do Eco Performances Poéticas
Dia 14/11/2014, sexta-feira, a partir das 19 horas.
No Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro, JF)
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Edição de novembro: poetas convidados (parte 2)

Também no elenco da edição de novembro do Eco: Prisca Agustoni. 




sou cinderela que quebra
o pacto mas quando quer voltar
enfim descalça
o cetro encantado cega
e entrelaça as sendas, assim
eu paro  perdida  abro os olhos                                
no meio do caminho da vida      

de: Casa dos ossos (em edição, para 2015)


Sobre a autora: Prisca Agustoni nasceu na Suíça, onde agora só passa longas férias cruzando de trem  as fronteiras geográficas e linguísticas da pátria helvética: escreve poesia e prosa em italiano, português e francês. Mora no Brasil, em Juiz de Fora, desde 2003, onde trabalha como professora na Universidade Federal de Juiz de Fora, além de cuidar das muitas mudas de flores que plantou no quintal de casa.Publicou várias coletâneas de poesia tanto no Brasil quando na Suíça,  e estão no prelo, para começos de 2015, Casa dos ossos (Juiz de Fora, Sans Chapeau) e Un ciel provisoire (Genebra, Samizdat).


Edição de novembro do Eco Performances Poéticas
Dia 14/11/2014, sexta-feira, a partir das 19 horas.
No Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro, JF)
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Edição de novembro: poetas convidados (parte 1)

Abrindo o elenco de convidados da edição de novembro do Eco: Daniel Valentim Mansur.






Sobre o autor: Daniel Valentim Mansur nasceu em 1977 em Belo Horizonte. Em Manaus, para onde se mudou aos sete anos, trabalhou como repórter de polícia e, mais tarde, de cultura, até concluir o curso de Jornalismo e desistir da profissão. Mestre em letras pela UFJF, lançou o livro de contos Manual prático das ocupações perdidas (2011), pela Bartlebee. Da cor que faz é seu primeiro livro de poemas e será lançado ainda este mês pela TextoTerritório.



Edição de novembro do Eco Performances Poéticas
Dia 14/11/2014, sexta-feira, a partir das 19 horas.
No Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant, 790. Centro, JF)
Entrada franca

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Edição de outubro: convidados (parte 4)

Fechando o elenco de convidados do Eco de outubro: Otávio Campos.






o dia dos teus anos

começo hoje a festejar o dia dos teus anos
dona filomena me aponta por chegar sempre tarde à casa
minha mãe fala devagar o meu nome
dona filomena me aponta por chegar sempre triste 
e subir as escadas como se derrubasse o mundo
minha mãe fala baixo o meu nome
eu peço: mais alto, por favor
é que dona filomena às vezes grita no apartamento do lado
se eu fosse um náufrago
e teu nome uma concha
escutaria o que os vizinhos já conhecem
é que dona filomena nunca pisou nesse prédio
minha mãe esquece meu nome quando desligo o telemóvel
carlos, desculpe-me
há dias que sou eu mesmo
em outros sou dona filomena
e também minha mãe
e também o tavares quando não abre a tabacaria
quando eu era um náufrago
e teu nome uma ilha
as coisas não costumavam mudar de forma
pois era eu mesmo
e eu mesmo
e às vezes você (eu mesmo)
mas logo hoje festejo o dia dos teus anos
e celebro o apartamento como uma instituição
pois teu nome e dona filomena e a tabacaria
e todas as coisas bonitas e tristes da cidade são o mesmo 
maço de papéis quando: uso óculos escuros
lavo as mãos na água fria
sento de costas e deito a cabeça na janela do metro
mas logo hoje (o dia dos teus anos) sou dona filomena
e também a paragem do autocarro e também algumas prendas
e sobretudo eu mesmo e a alegria do mundo
logo hoje
a casa respira tempos que não são teus


Sobre o autor: Otávio Campos cursa Letras na Universidade Federal de Juiz de Fora. É editor da Um conto - Revista de Literatura e autor de Distância (Aquela Editora, 2013). Atualmente faz parte da organização do Eco Performances Poéticas

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Edição de outubro: convidados (parte 3)

Também no elenco da edição de setembro do Eco: Júlia de Carvalho Hansen.




Temes a noite onde os nomes... 

Temes a noite onde os nomes não se registram nos radares
e as palavras como joelhos afastados pela mão de outro
são caixas-pretas boiando no mais marinho dos oceanos.

Um avião cruza os ares em direção a um batizado.
É o seu eco que cola as sílabas umas as outras
rejuntes de significado, amálgamas do esquecimento.

Se só pensas em assentar as mais corretas, maneiras
de permanecer, feito cal, espalhado pelas espáduas
trêmulo cimentado teu coração, um canteiro de plantio
para as alfaces – soníferas e insípidas – do cotidiano.
De ti, só poderei aceitar atrelar-me, como um mexilhão.

Agora sou na tua rocha. E de mim se aproxima outro,
que os passageiros não alcançarão. Age antes de querer
com todos os olhos de quem nunca tinha tocado bivalves
sem enciclopédia ou Discovery Channel
feito um miúdo se maravilha, ama as pérolas,
sabe bem mastigá-las com os dentes até parti-las.

Como eu, um dia, também contigo, tentei.


Sobre a autora: Júlia de Carvalho Hansen nasceu em São Paulo, em 1984. É autora dos livros cantos de estima (Selo de estimas e grama, SP, 2009), alforria blues ou Poemas do Destino do Mar (Chão da Feira, BH, 2013) e O túnel e o acordeom - diário fóssil encontrado após a explosão (Não edições, Lisboa, 2013). Integra o coletivo editorial Chão da Feira e é mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa.