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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Impressões - parte II

por Mariano Marovatto



Finalmente tinha chegado a data de irmos nós, os Sete Novos e Lucas Viriato, pra Juiz de Fora, para o Eco em Juiz de Fora. Não sei se era fim de semana. Achava o André Capilé uma pessoa meio incompreensível e muito sisuda. Tipo um chato. Ele vinha com a gente no carro pra ensinar o caminho e pra pegar uma carona. A gente vinha falando muita abobrinha e gravando vídeos incessantemente, como era de praxe na época do Amoramérica. Comemos uma rosca de calabresa do Ettore, que o Lucas tinha levado, inteira no carro. Ele conquistou a gente pelo estômago e pela gargalhada. A gente tava levando um monte de livros e um monte de Plástico Bolha na esperança de vender. A gente ainda acreditava que poesia podia vender. E olha que era já nosso segundo livro. Eu tava acima do peso, de cabeça recém-raspada, longas suíças e usava um óculos estapafúrdio. Um horror em forma de guri. Lá pelas tantas, depois de Barbacena, ainda na viagem, o Capilé fez severas críticas sobre a minha dissertação de mestrado. Poderia chorar, mas aí eu me apaixonei por ele e nunca mais larguei. O hotel tinha nome grego e escadas estranhas. Era o maior barato porque o Lucas tinha levado muito cigarro que passarinho não fuma e mais duas roscas de calabresa. Domingos mandou um SMS para o programa do Datena, que estávamos assistindo: “Datena, os Sete Novos estão indignados”. Ainda antes do evento, o Augusto, por diversos motivos, sofreu uma sequência de gargalhadas antológicas e quase morreu sufocado uma meia dúzia de vezes. No Eco as pessoas paravam para prestar atenção no que a gente lia no palco. Era estranhíssimo. O local, que tinha um nome ótimo, mas não me recordo, tinha lotado para ver aqueles quatro cariocas. Era canhestro. Vendemos algumas dezenas (sim, de-ze-nas) de exemplares do Amoramérica ao longo da noite. Foi muito insólito. Depois fomos com toda a trupe juiz-forana comer, beber e celebrar aquele sonho na terra de Murilo. Guardo isso tudo no coração. Repeti durante anos para amigos entristecidos por conta dos eventos de poesia no Rio de Janeiro que “em Juiz de Fora não é assim!” Foi assim a primeira vez no Eco. Inesquecível.


Mariano Marovatto lê "Oceanside" na edição de junho de 2010 do Eco.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Impressões - parte I

por André Capilé


2008, junho. Inventamos o ECO – Performances Poéticas. História velha, passo.

2009, dezembro. Olegário Maciel, esquina com Floriano. Estávamos os quatro. Discutíamos, então, o futuro do evento. Frase recorrente: embora o evento seja feito por pessoas, nenhum integrante é maior que a empresa. Conclui-se: a marca sobrevive para além de seus fundadores. Fato. Contudo, havia uma emergência: era necessário convocar novos elementos para, então, renovar interesses e criar medidas diferentes das que, até aquele momento, nós tínhamos tomado.

Havia, dentro de certo rebuliço, dois braços ativos que, atentos, assistíamos. Um, o caderno encontrare. Seus editores nos pareciam interessantes. O que prevíamos: poderemos, de agora em diante, construir uma plataforma física dos poemas lidos em viva voz. O segundo, Geleia Geral. Um blogue literário. Suas editoras nos pareciam interessantes. O que prevíamos: poderemos, de agora em diante, construir uma plataforma eletrônica dos poemas lidos em viva voz, além de criarmos, juntos, conteúdos, antes e depois. dos eventos. Eram, então, duas iniciativas que, a nosso ver, contribuiriam com competências que nós, os quatro, não tínhamos. E, não menos importante, mais um dado: havendo mais pessoas envolvidas, era mais dinheiro no fim do evento para rachar os valores das caixas de som que alugávamos para o show acontecer.

2010, maio. Havia acabado de me mudar para o Rio. Nesse mês acontece o primeiro evento sob a nova gerência. Não lembro absolutamente nada. Tentei olhar para as fotografias, e nada. O que me tocou, com alguma graça, foi que elas não se tornam mais amarelas com o passar do tempo; e a única coisa, realmente significativa, que consegui pensar, foi: como a Thais gostava de tênis sujos, antes de fotografar crianças. Minha memória, desde sempre bastante frágil, só consegue mentir. E talvez seja a única coisa honesta que eu tenha a dizer.

2010, meses seguintes. A mim me interessam mais, confesso. O evento no Corpus Christi, por exemplo. A viagem ao CEP 20000. Términos de casamentos e romances. Relações quebradas. Ciúme. Discussões intermináveis na lista de e-mail. Toda sorte de manifestações afetivas, ora rudes ora dóceis, de quem se atreve a construir coisas em grupo. Foi nesse ano que comecei a ser esquecido, quase por querer. Não suportei, então, a bagagem de ver o evento correr das minhas mãos. Um porra de sujeito agonizando, mas que não larga o osso. Um autorretrato possível da época. Eu era beligerante – topei com essa palavra outro dia. Não mudei muito, outra confissão. Contudo, vou admitir, só essa vez, o que continua acontecendo, a despeito da minha existência. E talvez seja a única coisa honesta que eu tenha a dizer.

O ECO – Performances Poéticas continua funcionando, a despeito das pessoas que, porventura, não tenham acreditado ser possível. O ECO – Performances Poéticas é, e continuará sendo, uma marca maior e mais efetiva que seus organizadores. O ECO – Performances Poéticas construiu uma cena, sim. Ainda que tenha formado, ao longo dos seus anos, mais plateia do que um público, é muito salutar assistir a autores que apareceram, nasceram – e também morreram – nos últimos anos. É com muita alegria, de verdade, que eu tenha assistido o aparecimento de editoras independentes: Aquela Editora e Edições Macondo. Que tenha assistido o aparecimento de pessoas novas e mais arejadas, o que nunca consegui ser.

O ECO – Performances Poéticas foi a única namorada que eu nunca quis largar, em tempo algum.




(André Capilé lê sua tradução para "Holy", de Allen Ginsberg, no microfone aberto da edição de junho de 2010 do Eco)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

2010 é logo ali (?)

Há exatos cinco anos acontecia a edição de maio de 2010 do Eco, no Espaço Mezcla. O elenco de poetas convidados foi composto por Diegho Vital, Fred Spada, Lucas Soares e Raphaela Ramos. A trilha sonora e apresentação ficaram por conta de Pedro Paiva. Naquela época a divulgação era feita, basicamente, via MSN e Orkut, mas já era de conhecimento geral dos interessados que o Eco acontecia sempre na primeira quinta-feira do mês no Mezcla e, portanto, parte do público já aparecia por lá independente de divulgação. Sendo assim, provavelmente muita gente nem chegou a ver o cartaz da edição, que era esse aqui:

Arte: Pedro Paiva

Foi o primeiro Eco depois da entrada dos membros dos extintos Geleia Geral (Larissa Andrioli, Laura Assis e Pamella Oliveira) e Caderno Encontrare (José Alexandre Abramo e Luiz Fernando Priamo) na equipe de organização do evento, se juntando aos veteranos André Capilé, Anderson Pires, Tiago Rattes e Pedro Paiva. 

Perguntamos a algumas pessoas que estavam por lá se elas se lembram de alguma coisa sobre aquela noite e o poeta Fred Spada foi um dos únicos que mostrou ter boa memória, como podemos conferir em seu depoimento:

"Acho que a primeira vez em que bati os olhos no nome Eco - Performances Poéticas foi no convite de seu segundo número, quando foi lançada a antologia Oiro de Minas, organizada pela Prisca (aquele A4, com poemas do Edimilson, do Iacyr, entre outros, está guardado em alguma pasta por aqui).

Mas hoje, exatamente, faz cinco anos que, pela primeira vez, pisava o palco do Eco - Performances Poéticas, que à época acontecia no Espaço Mezcla, quase ao lado de sua atual casa, o MAMM.

Nunca fui íntimo dos palcos, nem meus versos tinham ainda ganhado voz numa leitura em público, mas, se a performance ficou a dever, petrificado que estava em frente ao microfone e à plateia (de muitos rostos amigos ou conhecidos, é verdade) - o que quase me fez atropelar a música que ainda vinha das pick-ups entre minha chamada e chegada ao palco -, ao menos a leitura dos poemas fluiu razoavelmente, entre uma e outra engasgada que a tensão de abrir as leituras daquela noite me causava.

Levava comigo uma das últimas versões do que viria a ser meu primeiro livro, Arqueologias do olhar (publicado em 2011 com apoio da Lei Murilo Mendes), acrescido de um inédito anotado a lápis na última página: "Descobrimento da carne". A participação foi breve, para alívio dos presentes, como breves eram os poemas que li - nesse caso, para sorte deles, todos entraram no livro (inclusive o então inédito), sorte que outros não tiveram, friamente cortados para dar lugar a textos escritos até a véspera da impressão do livro, em fins de 2011.

O saldo de tudo aquilo: positivo, claro!, tanto que voltaria aos palcos do Eco ainda outras três vezes: apresentando o livro Arqueologias do olhar, em 2012; prestigiando a noite elétrica do Anderson Pires, quando lançou seu livro Trovadores elétricos (Aquela Editora), em 2013; e, finalmente, lançando minha plaquete Coleção de ruínas (Edições Macondo), no final do ano passado."

Confira as fotos daquela noite, todas feitas pela Thais Thomaz:

Fred Spada

Lucas Soares

Lucas e violão

Diegho Vital

Raphaela Ramos

As mãos de Raphaela

Inscritos para o microfone aberto

Capilé e Nelson

Casa cheia

Fred

Lucas

Luiz Fernando "Mirabel" Priamo

Raphaela

Diegho

Poesia de última hora

Setlist?


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Eco de Julho: poesia entre amigos

Texto: Anelise Freitas
Fotos: Edson Rodiguez


Falar das edições do Eco para o blogue do Eco parece tendencioso, assim como falar de um Eco entre amigos. Parece  difícil falar de uma edição com Felipe Rezende, Bruna Werneck, Lucas Viriato, Augusto Guimaraens e André Capilé, todos os irmãozinhos.




Vindo especialmente de Brasília, cidade onde reside, o poeta juiz-forano Felipe Rezende começou a edição eletricamente, lendo poemas inéditos e também de seu livro A calma pressa. A também mineira, natural de Leopoldina, Bruna Werneck, destrinchou os versos de seu blogue, Infinitopia. Logo em seguida, lançando a antologia poética do Jornal Plástico Bolha, os cariocas Lucas Viriato, organizador da publicação, com selo da Organograma e Augusto Guimaraens (o surrealismo e Campos de Carvalho). Para encerrar a lista de poetas convidados, André Capilé, nosso irmão-maior e um dos pais do Eco Performances Poéticas.





A festa ganhou continuidade na sede das Edições Macondo, rizoma editorial da Um Conto, levando os poetas, os organizadores do evento e alguns espectadores para uma continuação poética que se estendeu até o dia quase amanhecer. O poeta (e DJ da edição) Otávio Campos recebeu todos os poetas em sua casa, onde todos puderam falar de poesia e sobre o golpe.

Depois dessa edição que abriu a temporada 2014 do Eco no Museu de Arte Murilo Mendes o golpe ainda não veio mas, dizem alguns, virá!








sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sobre a edição de Novembro



Texto: René Eberle Rocha
Fotos: Luiz Fernando Priamo

Chega mais um novembro nessas paragens, o ambiente aponta para mais uma edição do Eco Performances Poéticas. Como sempre um evento muito bem frequentado por almas bem dispostas.


Como vem ocorrendo nas últimas edições, uma renovação do certame com estreias, surpresas e muita poesia – (as pessoas iam se ajeitando em suas cadeiras, seus espaços em pé, na arquibancada poética) - percebi uma aura boa logo na entrada, apontando para o cume de minha expectativa, algumas folhas de A4 com rabiscos, muito bem acompanhado e uma long neck na mão.


Para começar os trabalhos, tive o prazer de estrear a noite como convidado (este indivíduo, que vos fala em terceira pessoa , já frequentador assíduo do microfone aberto René Eberle, expondo seus poemas pela primeira vez ao público). Consta nos autos, minha estreia como poeta, “humildemente falando”.


Na sequência tivemos o já conhecido Demetrius Lopes, que além da leitura de seus poemas, abriu espaço para obras de amigos e colaboradores, proporcionando ao público presente, performances únicas, com a participação ilustre de Flávio Abreu conquistando aplausos com leituras instigantes, lindamente teatralizadas.


Em seguida a exibição de vídeos poemas, um toque cada vez mais presente nas edições do Eco. Tudo isso sempre muito bem acompanhado do discotecário Pedro Paiva, discotecando antes, durante e após, embalando o ritmo das performances.


Fechando a noite lindamente, tivemos o microfone aberto, espaço essencial, melhor dizendo: fundamental para existência do Eco, com nomes conhecidos e rostos novos, adocicando expectativas para as próximas edições.


Novembro demorou, veio e já está passando. Esta edição do ECO vai ficar na memória dos presentes, agora é contemplar os dias e esperar a edição de dezembro. O que nos espera? E não precisa pagar para ver.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sobre a edição de agosto


Texto: Tiago Rattes
Fotos: Ana Cláudia Ferreira

Casa lotada para a edição de agosto do Eco Performances Poéticas. Uma noite especial de estréias e surpresas das melhores compuseram um clima de poesia e flow na presença de nada mais nada menos que 153 pessoas.

Filipe Rufato, diretamente de Ubá, propiciou uma bela leitura de seus poemas. Seguido da também estreante Juliana Gervason, de Juiz de Fora.

A despeito da estréia, uma sequência de leituras que mobilizou e tomou a atenção dos presentes.

Na sequência uma nova parceria: a presença da rapaziada do Encontro de MC’s, evento que vem se consagrando em Juiz de Fora no último período. Representando na sequência, os MC’s Oldi, Marcelo Fernandes, Telin e Doidan contaram com o apoio do Maestro Pedro Paiva nas bases.  E a banca presente contribuiu. Diversos MC’s presentes participaram e a casa da poesia ganhou ritmo.

Encontro histórico, público recorde.

Na sequência, antes do microfone aberto nosso discotecário Pedro Paiva presenteou a rapaziada com a belíssima Angola Mix-Tape.

Quem viveu, viu. Segue a saga e a missão de tirar a poesia do gabinete toda primeira quinta do mês.










segunda-feira, 2 de julho de 2012

Juiz de Fora - História Lírica

Texto e vídeo: Fred Spada

Em maio passado, fui convidado pelo poeta Wilmar Silva a participar do projeto Terças Poéticas, em Belo Horizonte, em que não apenas lançaria meu livro, Arqueologias do olhar, mas também, como de praxe, deveria prestar homenagem a outro poeta. Wilmar, em vez disso, propôs-me homenagear não um escritor, mas as “poéticas de Juiz de Fora”: daí, então, a ideia de colher os depoimentos, apresentando parte da história literária da cidade a partir de quem a faz, a escolha dos nomes tendo sido a mais natural possível – poetas que admiro e cuja poesia leio avidamente. O título inspira-se num livro de 1926: Juiz de Fora, poema lyrico, do belo-horizontino Austen Amaro, primo de Carlos Drummond de Andrade. A gravação e a edição dos vídeos, feitas de maneira bastante amadora, não demoraram mais do que uma semana.
“Juiz de Fora – História lírica” é uma série de cinco depoimentos de poetas da cidade, contando um pouco do percurso poético de nossas letras desde meados dos anos 1970, quando surge, no antigo Colégio Magister, o folheto “Poesia”, organizado pelo professor e poeta Gilvan Procópio Ribeiro e alguns de seus alunos, entre eles José Henrique da Cruz, o Mutum. Relembra, em seguida, os anos 1980, com os depoimentos de Edimilson de Almeida Pereira e Fernando Fábio Fiorese Furtado, integrantes de dois outros importantes movimentos literários, Abre Alas e D’Lira. Prisca Agustoni, por sua vez, comenta sobre a antologia de poesia mineira que organizou, publicada em Portugal pelas Edições Pasárgada, em 2008, Oiro de Minas: a nova poesia das Gerais, em que inclui cinco poetas ligados a Juiz de Fora, e, por fim, Anderson Pires fala da atual cena literária da cidade, desde a publicação da antologia Livro de sete faces: sete poetas em diálogo, organizada por Elza de Sá Nogueira e Érika Kelmer Mathias (Nankin/Funalfa, 2006), até a fundação do Eco Performances Poéticas, da Aquela Editora e da revista Um Conto, que vêm congregando uma novíssima geração de autores. Além disso, claro, cada participante comenta sobre seu fazer poético, encerrando o depoimento com a leitura de um poema.
Infelizmente, não consegui exibir os vídeos em BH, em virtude do tempo (totalizam quase 40 minutos), mas a internet leva-os além. E, para o futuro, já planejo novos depoimentos– aguardem!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre o Eco de junho

Texto: Knorr


Em 7 de junho de 2012 o Eco comemorou seus primeiros quatro anos de existência. Eu sei como é isso, tenho um filho quase que com a mesma idade. São várias descobertas, questionamentos, a busca por uma linguagem própria, a trincheira do choro, uma recusa em crescer e ao mesmo tempo uma vontade enorme de ser grande. O melhor é conviver com isso, deixar o tempo rolar, e ouvir as broncas e os direcionamentos que aparecem em todos os lugares. Com o Eco não é diferente. Tá certo, não é um ser humano, mas trabalha (e fundo e bem fundo) para que quem dele participa, de alguma forma, seja mais humano. Poesia é ser humano.

O público. Foto: Laura Assis.
Banquinha. Foto: Laura Assis.
Anderson Pires. Foto: Larissa Andrioli.

A edição de junho, por acaso e feliz (ou infeliz) coincidência do calendário caiu justamente num início de feriado prolongado, numa quinta-feira chuvosa e fria e coincidindo com a greve da universidade federal. Tinha tudo pra não dar certo. Fracasso anunciado. Mas não. O que se viu foi um Mezcla lotado, com um público participativo e cada vez mais se interando desse duro ofício incoerente de se fazer poesia. Um a um, os fundadores e ativistas do movimento fizeram suas leituras e eu tive o prazer de ter sido convidado por eles para pré-lançar o meu livro que, aliás, foi concretizado e redescoberto graças a um convite feito por esses novos amigos há pouco mais de um ano. O clima estava tão aconchegante que até me arrisquei a colocar pra fora um desejo antigo, de falar um poema tendo como base um groove de hip-hop. E não é que deu certo?! 

Knorr. Foto: Larissa Andrioli.

Luiz Fernando Priamo. Foto: Larissa Andrioli.
André Capilé. Foto: Larissa Andrioli. 

O Eco é isso, é o concreto de todos esses sonhos poéticos que esses (me incluo aqui...) loucos por palavras deliram durante sua existência. Então, pra quem ainda não tem filho, ou pra quem ainda não teve a oportunidade de ir a uma edição do Eco, fica a dica: guardadas as devidas proporções, são duas experiências de geração, parto, afeto e carinho inigualáveis.

Anelise Freitas. Foto: Larissa Andrioli.

Vinil. Foto: Larissa Andrioli.
Sorteio! Foto: Laura Assis.

Até a edição de agosto. Evoé, Eco!!!

sábado, 4 de junho de 2011

Efeito CEP

A partir de hoje vamos começar a publicar posts relacionados às várias atividades do Eco nas semanas que acabaram de passar. CEP 20.000, Corredor Cultural, edição especial de aniversário... foram dias intensos e muitas coisas que aconteceram merecem registro. Começamos então hoje com um texto de Tiago Rattes sobre a nossa participação no CEP 20000, evento de poesias mais importante do país.

*

Relatos de uma viagem


Às 16 horas do dia 25 último, a trupe do Eco Performances Poéticas caiu na estrada pra ultrapassar os 180 km que separam Juiz de Fora da cidade maravilhosa. On the Road, um espírito beat em ritmo e euforia de excursão escolar.
Destino: o CEP20000. Como vocês sabem, havíamos sido convidados para uma leitura de nossa produção. Nossa estréia em solo carioca. Lá fomos deixar nosso cartão de visita, conhecer o evento e toda turma.
Friozinhos de serra, e  retenções de Linha Vermelha à parte, lá chegamos, são e salvos para a contenda poética, recebidos com carinho por um de nossos anfitriões, Lucas Viriato, editor do jornal Plástico Bolha.
O CEP20000, além de celeiro da poesia, funciona como uma exposição de arte variada. Música, cinema, dentre outras modalidades, que se revezam diante um público variado e atento.
E lá fomos nós. Um a um, fizemos nossas leituras, combinadas com a trilha sonora cuidadosamente preparada por nosso maestro Pedro Paiva. O primeiro momento, claro, sempre esbarra num grau de ansiedade misturada com a felicidade de estar presente, compartilhando nosso trabalho com uma moçada nova, mas nem por isso deixou de ser forte, intenso.
Entre versos, canções e aplausos a coisa fluiu. Sentimos uma recepção muito positiva do público carioca, e um grande carinho de nossos anfitriões, Lucas Viriato e Chacal. Uma sensação de dever cumprido, nessa batalha de tentar promover um intercâmbio poético. E também uma espécie de presente de aniversário nestes três anos de Eco Performances Poéticas.
Mas essa é uma história que queremos estar apenas começando. Até!

*

Durante toda a viagem para o Rio, as lentes de Thais Thomaz não só fotografaram,  mas também filmaram. Luiz Fernando Priamo também empunhou a câmera e captou várias imagens da nossa incursão carioca, que depois foram editadas por ele e por Daniel Couto (a.k.a Catatau) dando origem ao mini-doc "Eco Performances Poéticas no CEP 20000" que você pode assistir aqui:




Bom, e ainda não acabou. Acompanhe o blog para ler também os relatos de outros membros do Eco, além de rever ou saber como foi a nossa participação no Corredor Cultural e a edição especial de aniversário de três anos do Eco.
Siga o Eco no Twitter, curta o Eco no Facebook e volte sempre. 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A poesia juizforana de ontem e de hoje



Juiz de Fora, é uma cidade de importantes poetas. Mas, além de Murilo Mendes quem mais está nessa? 

Com o objetivo de compreender um pouco sobre como foi e está o cenário poético na "Manchester mineira", a estudante de Comunicação Social da UFJF, Eliza Granadeiro, convocou alguns representantes do Eco para conversar.

Larissa Andrioli, Laura Assis e Luiz Fernando Priamo bateram um papo que pode ser conferido em texto e áudio no site JF em Pauta. Confiram!

domingo, 1 de maio de 2011

Várias faces que ecoam

Texto: Tiago Rattes
Fotos: Thais Thomaz


A frase do poeta e professor Anderson Pires, na minha opinião, define o Eco Performances Poéticas: “tirar a poesia do gabinete”. Quebrar o clima “solene” do sarau, e expor a poesia em sua expressão mais performática.


Um dos fundadores do Eco, o poeta e mestrando em Literatura na PUC-RJ, André de Freitas, o Capilé, costuma definir os desafios do evento em dois estágios: em primeiro, ao trazer os convidados e convidadas, e abrir espaço para o microfone aberto, mapeia-se a cena local. Podemos conhecer quem escreve, quem se pretende poeta, quem percorre caminhos já avançados. Num segundo momento, a tarefa do Eco é buscar um diálogo sobre a produção. Circular, criticar, analisar, debater. Para além da condescendência do aplauso, esse é um elemento fundamental para que os autores possam ter olhares diferentes sobre sua própria produção.

O evento configura-se também como espaço de encontro de artistas e não-artistas, onde a interação e o bate-papo – com uma cervejinha – funciona também como momento privilegiado de trocas entre as diversas expressões artísticas que pintam pelos quatro cantos da cidade. É importante circular, encontrar, dialogar, com seus pares ou não-pares.



O Eco, em seu ano IV, continua com vigor. Buscamos antes de tudo a manutenção da idéia básica do evento, mas abrindo espaço para experiências que possam permitir aos autores, ainda mais a interação com as diversas faces da poesia nova, que se constrói, e com o cânone estabelecido, que é fonte da boa e necessária para quem quer fazer poesia.